sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

PAQUISTÃO: BENAZIR BHUTTO, A MÃE DOS POBRES




HISTÓRIA DE BENAZIR BHUTTO


A ex-premiê paquistanesa Benazir Bhutto foi a primeira mulher a comandar um Estado Islâmico, ao qual regressou nesta quinta-feira com a intenção declarada de levá-lo pelo caminho da democracia --mesmo sob o controle do general Pervez Musharraf, que comanda o país desde 1999, após um golpe de Estado.
Com apenas 35 anos, Bhutto se tornou chefe do governo do Paquistão em 1988, após assumir o legado político de seu pai, Zulfikar Ali Bhutto. Zulfikar foi primeiro-ministro na década de 1970 e foi executado pelo ditador general Zia ul Haq.



  • Harvard e Oxford
    Atraente e brilhante, Bhutto exerceu dois mandatos (1988-90 e 1993-96), mas não completou nenhum, encurralada por crescentes denúncias de corrupção, das quais escapou optando pelo exílio, no início de 1999.
    Bhutto, conhecida pelo apelido familiar de "Pinkie", nasceu em Karachi (sul do país) em 21 de junho de 1953. Em Harvard e em Oxford, estudou ciências políticas.
    Com 24 anos voltou ao Paquistão, onde viu seu pai ser derrubado e assassinado por Zia poucos meses depois. Com a morte de Zulfikar, Bhutto assumiu a direção do Partido Popular do Paquistão (PPP), fundado por seu pai em 1967.
    A partir de então, passou longos períodos detida ou em prisão domiciliar, até que em 1984 partiu para o exílio em Londres, de onde retornou dois anos depois para receber uma acolhida de um milhão de pessoas em Lahore.


  • Poder
    Em 1987 se casou com Asif Zardari, em um casamento consentido por ambas famílias.
    A morte do general Zia em um acidente de avião em agosto de 1988 e a realização de novas eleições a lançaram para o poder em 2 de dezembro do mesmo ano. No entanto, em 6 de agosto de 1990, o presidente Ishaq Khan a destitui por acusações de abuso de poder, nepotismo e corrupção, dissolveu a Assembléia e convocou um novo pleito.
    "Meu caráter é muito combativo, quanto mais dificuldades tenho, mas vontades de vencer nascem em mim", afirmou Bhutto sobre aquele momento. "Quando me encurralam contra a parede, mais posso lutar."
    Bhutto voltou ao poder em outubro de 1993, mas após três anos foi novamente destituída por corrupção, improbidade administrativa e pela morte extrajudicial de detentos.




  • "Líder dos pobres"

A "líder dos paquistaneses pobres", como ela mesmo se descreveu na quarta-feira (17) optou então em 99 por abandonar o Paquistão para um exílio voluntário que só acaba agora, após Musharraf garantir uma anistia.
A ex-premiê deixou para trás seu marido, conhecido pelos paquistaneses como "o senhor 10%", por causa das comissões que cobrava para facilitar os contratos públicos, e que passou vários anos na prisão antes de unir-se a ela no exílio, em 2004.
Ainda que Bhutto tenha sido condenada no Paquistão em 1999 e 2001 por corrupção e fuga da Justiça, as sentenças foram anuladas por tribunais superiores. Este ano vários processos ainda seguiam abertos contra Bhutto por corrupção, que foram encerrados por ordem de Musharraf.
Retorno negociado
Apesar de "repudiar" a ditadura de Musharraf durante os anos de exílio em que continuou comandando o PPP, principal força de oposição no Parlamento, Bhutto acabou por negociar com o ditador e chefe do Exército paquistanês.
Seu acordo de divisão de poderes com Musharraf decepcionou muitas partidários de Bhutto, que consideram uma traição um acordo com os militares que acabaram com o governo e a vida de seu pai.
Inclusive membros de sua família lamentam em particular a atitude da ex-premiê, quem criticam por sua teimosia e incapacidade de seguir os conselhos de quem conhece o Paquistão atual, já que durante 19 anos, no total, ela morou no exterior.
Agora, Bhutto promete devolver ao Paquistão a "democracia" e não esconde sua intenção de se converter em premiê pela terceira vez, com as eleições gerais de janeiro de 2008, ainda que para isso seja necessária uma emenda constitucional supostamente inclusa no pacto com Musharraf.
A ex-premiê é mãe de três filhos: de um homem, chamado Bilawal (1988), e de duas mulheres, Bajtawar (1990) e Asafa, nascida em Londres em 1996.




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